sábado, 7 de março de 2009

Superando você mesmo

Eu sempre me considerei uma pessoa medrosa. Acho que até já falei isso aqui alguma vez. Eu sempre adio decisões ou deixo de fazer coisas que eu estou com muita vontade de fazer por medo.

Porém, depois que eu morei em Londres, muita coisa mudou na minha vida e uma delas foi o meu modo de lidar com meus receios. Quando eu saí do Brasil pra viver fora, minha vida era mais ou menos assim: 21 anos, cursando o 4º semestre do curso de Tradução na Universidade Federal de Brasilia, sem emprego, namorando à distância, católica praticante, estudante de violão popular da Escola de Música de Brasília, uma relação boa com meus pais, porém um pouco arredia com meu irmão, insegura em relação a muitas coisas na minha vida. Voltando, eu tinha mudado não meus príncipios em si, mas a minha maneira de encarar a vida e tinha um novo plano. Tinha mudado os meus desejos e as minhas expectativas diante da vida. Como estou hoje?

Vejamos: entrarei no 6º semestre de Tradução. Semestre passado peguei só 3 matérias porque não queria estresse excessivo em minha vida e agora descobri que eu tenho 100 créditos pra fazer até o ano que vem. Uma loucura. Trabalho dando aulas de inglês na Wizard, o último lugar que eu achei que fosse trabalhar. Superei um das minhas maiores inseguranças que era em relação à minha competência quanto ao ensino desta língua. Bom, até agora não recebi reclamações e fui uma das poucas professoras a não ser despedida no fim do ano passado. Estou solteiríssima e curtindo baladas todos os fins de semana. Depois de muito pestanejar, com medo de jogar fora uma bonita história de amor, mas que infelizmente, já havia caído na mesmisse e toda a paixão havia acabado, terminei meu namoro de 1 ano e meio. Não quero NADA na minha vida sem paixão. O que também foi um dos motivos pelo qual me afastei da igreja. Faz mais de 7 anos que trabalho pelo Movimento Escalada, com afinco, com paixão, mas os últimos acontecimentos cortaram toda a gana que eu tinha por levar esse trabalho em frente. Não estudo mais música, mas fiz melhor: entrei numa banda. Tomei coragem de dar minha cara tapa e estou aí, com uma banda em andamento e um teste para uma segunda banda, sábado que vem. Melhorei MUITO minha relação com meu irmão. As brigas foram cortadas a quase zero e temos uma relação de amizade e cumplicidade.

E ontem, realizei mais um desejo que estava aqui guardadinho por puro medo: fazer uma tatuagem. Tatuei uma homenagem à minha cidade amada, Brasília: fiz no pescoço, um calanguinho, que por aqui é símbolo que representa a cidade.

A vida todo dia nos impões barreiras, desafios e propostas. A maioria das vezes a gente foge com medo de falhar. Mas, conselho de alguém que já teve muito medo - e que ainda tem alguns, mas que agora sabe como enfrentá-los em vez de deixá-los dominá-la -: levante a cabeça e vá em frente. Peite! Ria da cara do medo e faça com que ele tenha mais medo de você do que você dele!

quarta-feira, 4 de março de 2009

Jogando contra

Hoje parei pra pensar o quanto o universo tende a conspirar contra nós. Essa pedra já foi cantada há um tempo atrás, quando falei sobre a não-criação de expectativas. Mas o negócio vai muito além do que eu imaginava. Não conte com o ovo no c* da galinha. Não se empolgue demais com nada, até que a coisa realmente aconteça. Ou seja, jogue contra tudo o que você quer.

Estranho??? Os adoradores do livro "O Segredo" que me perdoem, mas a maioria das vezes que nós criamos uma atmosfera de atração das coisas que realmente almejamos, algo dá errado! É como quando você tá trabalhando ou fazendo qualquer outra coisa que você não gosta, o tempo se arrastaaaaaaaa... é ou não é??! Ao passo que quando você está com aquela pessoa querida, ou numa viagem absurdamente boa, ou até mesmo o dia do seu aniversário, passa tão rápido que você nem consegue lembrar da sequência em que os fatos ocorreram.

Fiquei refletindo... devemos jogar contra nós mesmos? Deveríamos apostar todas as fichas nas coisas que não queremos que aconteça - ou pelo menos na desilusão, no desapego às esperanças - para que não quebremos a cara?! Até que ponto é ruim sofrer uma decepção, por menor que seja? O quão mal você se permite ficar por causa de um tropeço ou uma expectativa não correspondida?

Não gosto de ser negativa não. Aliás, não sou. Mas analisando as últimas estatísticas da minha vida, eu diria que elas são assustadoras! Muitas - muitas mesmo!! - das vezes onde eu fiz planos, criei expectativas, me empolguei demais com coisas que eram apenas leves possibilidades, eu me dirigi a um abismo profundo de decepção. Não com os outros, não com o mundo, mas comigo!! Com a minha capacidade de sonhar alto demais! E aí quando eu largava de mão, achava que nada mais ia acontecer, até esquecia do que eu estava querendo tanto, pá! Batata!! A coisa acontecia!

Não sou uma pessoa mística, mas estou começando a acreditar em conspiração do universo. Até que ponto podemos interferir no modo em que as coisas acontecem em nossas vidas? O que atrai as coisas que desejamos: a capacidade de aceitar as coisas com puro realismo ou a tal lei da atração "pensamentos bons atraem coisas boas"?